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Manifestação em Salvador: saiba como foi dia de confrontos

21/06/2013 - 07:06

Pé de estátua foi pichada e ônibus foram queimados em Salvador

Os manifestantes que protestaram nesta quinta-feira (20) em Salvador foram para as avenidas Centenário e Adhemar de Barros, na Ondina, depois de passarem pela Barra. Antes, o grupo entrou em confronto novamente com a Polícia Militar no Campo Grande. A PM voltou a soltar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Parte dos manifestantes seguiu para a região do Iguatemi - um grupo chegou a sentar na avenida ACM no trecho em frente ao shopping.
 
Na ACM, um motociclista que trafegava no caminho tentou invadir o movimento, mas foi cercado por manifestantes. Segundo testemunha que se encontrava no local, duas viaturas foram até lá e o trânsito ficou parado. Cerca de 200 pessoas protestaram na região. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes e aparentemente a situação já está normalizada.
 
Em Ondina, os manifestantes também chegaram a sentar no chão e acusam a Polícia Militar de dispersar um protesto pacífico com violência. Bombas de gás lacrimogêneo também foram usados no local e chegaram a invadir ônibus que passavam pela região.
 
Mais cedo, na região do Campo Grande, dois ônibus da Fifa foram apedrejados por vândalos em frente ao Hotel da Bahia. Objetos pegando fogo foram colocadas na rua para tentar evitar o avanço da PM, que estava com a cavalaria e o Batalhão de Choque no local. Manifestantes acusam a PM de truculência e dizem que o local chegou a ficar totalmente bloqueado.
 
Uma estudante de gás e petróleo ficou ferida nas nádegas depois de ser atingida por uma bomba de gás de lacrimogêneo. "Recebi a bomba e voltei para pegar isso (mostra resquício de uma bomba de efeito moral). Como posso confiar em quem deve me proteger, mas agride? Sou a favor de protestos sem violência", disse Jéssica Vieira, 20 anos.
 
O estudante de psicologia Victor Kaupatez, 25 anos, foi atingido por uma bala de borracha nas costas. "Estava no meio das manifestações, gritando sem violência, a polícia mandou a gente se retirar e quando saia de costas recebi a bala", contou.
 
Na praça, o pé de uma estátua foi pichado com "F... o sistema". Um papel colocado no local, no entanto, repudiava a atitude. "Vandalismo não nos representa", dizia. 
O protesto já está mais disperso. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a estimativa é de que 20 mil pessoas participaram da manifestação nesta quinta. 
 
O movimento saiu no início da tarde do Campo Grande, seguindo pelo centro e Dique do Tororó até a Arena Fonte Nova. Ainda no Dique, manifestantes e polícia entraram em confronto pela primeira vez.
 
Vandalismo
Dois ônibus foram incendiados na avenida Centenário, antes do túnel Teodoro Sampaio, e na avenida Leovigildo Filgueiras, no Garcia. Os manifestantes também colocaram fogo em entulhos. Agora à noite, outro ônibus foi incendiado na região do Vale do Canela, região que segundo moradores está sem energia. Um carro particular foi incendiado na Estação da Lapa.
 
Na avenida Sete de Setembro, a loja de óculos da Chilli Beans foi arrombada e saqueada. A porta da loja foi destruída e todos os produtos de mostruário foram levados pelos vândalos. Nenhum dos suspeitos foi identificado e preso. Uma loja de colchões que fica ao lado do estabelecimento também teve a porta violada, mas nada foi levado. Uma agência do Banco do Brasil nas proximidades teve um vidro quebrado. No Canela, uma agência do Bradesco também foi destruída.
 
Também há registro de vandalismo na manifestação em Nazaré: um grupo pichou paredes e quebrou janelas de um ônibus. Diversos pontos de ônibus e orelhões foram destruídos. Manifestantes montaram uma barreira de fogo em frente à Igreja de Santo Antônio da Mouraria para impedir o avanço da polícia no sentido Campo Grande.
 
No Hospital Geral do Estado (HGE), cinco pessoas deram entrada com ferimentos causados por balas de borracha. Seis pessoas foram atendidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No 5º Centro de Saúde, dez pessoas foram atendidas por conta dos efeitos da bomba de gás lacrimogêneo. Um manifestante foi preso no 5º Centro. A polícia foi chamada depois que ele tentou agredir um enfermeiro no local e, ao chegar, reconheceram que ele foi uma das pessoas a agredir policiais durante o protesto. "Não agredi policial, só tentei furar o bloqueio", disse o rapaz ao Correio24horas ao ser preso.
 
Governo e prefeitura repudiam vandalismo
Em nota, governo do estado e prefeitura municipal repudiaram os atos de vandalismo na cidade, mas disseram respeitar a manifestação popular que aconteceu nesta quinta. Em nota, o secretário estadual de Comunicação Social, Robinson Almeida, disse que a PM teve orientação para manter negociação e diálogo com as lideranças dos manifestantes.
 
"Infelizmente uma pequena minoria tentou romper os limites estabelecidos da faixa de segurança para os torcedores que foram assistir ao jogo Nigéria e Uruguai, na Arena Fonte Nova. Na democracia, tem que ser respeitado o direito da manifestação, e também a segurança dos manifestantes e dos torcedores e famílias que vão para o estádio", afirmou.
 
O prefeito ACM Neto também lamentou que "um pequeno grupo de vândalos" tenha destruído equipamentos públicos e tenha manchado a "grandiosidade e a nobreza dos protestos ocorridos na cidade". Neto diz que considera os protestos como "legítimos, democráticos e com espírito pacífico". "A maioria das pessoas que foi às ruas se manifestar fez de forma ordeira e pacífica. A manifestação faz parte da democracia e é plenamente aceita, devendo ser entendida por todos. O lamentável é a ação dos radicais", diz em nota o prefeito.
 
* As informações sã do Correio, repórteres Monique Lobo e Natalia Falcón

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